Sexta-feira, Abril 15, 2005
O eterno reinado da televisão
Do pouco tempo que me resta nada mais posso fazer senão descansar, ver um filme fácil e, com sorte, adormecer rapidamente. Não é que não arranje tempo para escrever, não tenho é tempo para pensar. Saltam-me as questões da cabeça directamente para o Recycle Bin, não tenho espaço para desperdiçar no meu tempo e na minha memória.
No entanto, e para contrariar estes negros tempos, um pequeno aparte:
A televisão recusa constantemente entrar na lista de objectos banais no nosso quotidiano, continuando a suscitar uma inevitável admiração a quem a sinta por perto.
Quando vou fazer gravações no exterior para a excelentíssima TVI cria-se sempre burburinho. As pessoas que passam vão ficando por ali, a olharem. Gente trabalhadora que automaticamente inventa uma pausa na produtividade do pais e pára por ali, voltam aos tempos de meninice, parecem ter pulgas no corpo, excitados que estão por presenciarem tamanho evento. Os reformados aproximam-se mais, falam com os actores e com a equipa, dando ar de importância que o seu sorriso de costa a costa tão facilmente denuncia. Velhotas assomem-se à janela, interrompem os afazeres domésticos para ver o circo passar e telefonar às amigas invejosas. Criançada é aos montes, todas aquelas luzes e gente “famosa” agitam as leves águas da sua emoção, até aos eletricistas pedem autógrafos!
A televisão reina no âmago dos homens e das mulheres e continuará a reinar por muito tempo fora. Serve de praça pública e de assembleia de cidadãos. Quem por lá aparece torna-se misticamente abstracto, como se não pudesse de facto existir na mesma realidade que todos os outros. Seja no velho cubo triniton, seja nas novas cortinas de alta definição, o efeito é sempre o mesmo: o que se passa lá dentro é elevado a uma encantante e misteriosa condição.
No entanto, e para contrariar estes negros tempos, um pequeno aparte:
A televisão recusa constantemente entrar na lista de objectos banais no nosso quotidiano, continuando a suscitar uma inevitável admiração a quem a sinta por perto.
Quando vou fazer gravações no exterior para a excelentíssima TVI cria-se sempre burburinho. As pessoas que passam vão ficando por ali, a olharem. Gente trabalhadora que automaticamente inventa uma pausa na produtividade do pais e pára por ali, voltam aos tempos de meninice, parecem ter pulgas no corpo, excitados que estão por presenciarem tamanho evento. Os reformados aproximam-se mais, falam com os actores e com a equipa, dando ar de importância que o seu sorriso de costa a costa tão facilmente denuncia. Velhotas assomem-se à janela, interrompem os afazeres domésticos para ver o circo passar e telefonar às amigas invejosas. Criançada é aos montes, todas aquelas luzes e gente “famosa” agitam as leves águas da sua emoção, até aos eletricistas pedem autógrafos!
A televisão reina no âmago dos homens e das mulheres e continuará a reinar por muito tempo fora. Serve de praça pública e de assembleia de cidadãos. Quem por lá aparece torna-se misticamente abstracto, como se não pudesse de facto existir na mesma realidade que todos os outros. Seja no velho cubo triniton, seja nas novas cortinas de alta definição, o efeito é sempre o mesmo: o que se passa lá dentro é elevado a uma encantante e misteriosa condição.
Comments:
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Concordo plenamente; em vez de um espaço público, onde as possibilidades são imensas, a TV tornou-se num espaço icónico, onde a estupidez é divina. Abraço
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